Onde foi que eu errei? Deve estar perguntando o SIMON

A difícil arte de apitar
Fui perguntado no domingo e na segunda feira sobre o que achei do lance polêmico entre Cruzeiro e Flamengo, onde, supostamente, houve um pênalti do Leo Fortunato no Diego Tardeli, não apitado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon.
A minha resposta foi única. Eu só vi o lance ao vivo pela Globo. O mesmo só foi repetido uma vez, e no mesmo ângulo. Eu preciso ver mais vezes, se possível em um outro ângulo, pois, na forma que vi um fato me deixou em dúvida: a bola, no lance entre o Diego e o Léo Fortunato, não foi para frente, ao contrário, sobrou por trás do Diego e um outro zagueiro do Cruzeiro, pegou a sobrea e saiu com ela dominada. Pela transmissão da Globo eu não tive certeza se houve antes o choque do zagueiro com o atacante. A reclamação forte do Diego Tardeli, no entanto, me deixou mais em dúvida. Se ele tivesse "cavado" o pênalti não teria reagido com tante viemência, é o que pensei, mesmo sabendo que cavar lances é uma prática do Diego.
A jornada na Itatiaia terminou tarde, não tive tempo de acompanhar os programas esportivos e os debates. Na segunda acompanhei todo o noticiário e fiquei pasmo com as fortes reações dos dirigentes flamenguistas, inclusive com as denúncias enviadas à FIFA, com a filmagem da Globo, parecia o fim do mundo em virtude de um "suposto" erro de arbitragem. No programa Bem Amigos, do Sportv, afirmações totais por parte dos presentes de que houve pênalti e pelo absurdo da não marcação. O chefe da arbirtragem da CBF, Sérgio Coelho, falou ao Wellinton Campos na Itatiaia que houve pênalti e que o Simon tinha errado. Depois veio a punição, o árbitro do jogo não foi escalado para o sorteiro para a penúltima rodada, foi rebaixado para a série B.
Ainda no programa Bem Amigos, o Galvão Bueno foi forte ao analisar o lance e nas críticas ao Simon. O Gabriel o Pensador, falando com muita emoção, também bateu pesado no árbitro. Na imprensa, por todo lado, se falava muito mais em um pênalti não assinalado, que prejudicou o Flamengo, que tirou o Flamengo da Libertadores, do que na grande vitória do São Paulo e no equilíbrio do Brasileirão 2008. No final da tarde, a ênfase era a não escalação do árbitro para a próxima rodada e não a próxima rodada, que poderá decidir quase tudo no campeonato.
Interessante é que o Simon, mesmo contra as opiniões de todos, incluindo do diretor de arbitragem da CBF, contra as imagens da Globo mostradas por todo lado, contra as reações fortes dos flamenguistas, veio a público para reafirmar a sua decisão, continuou entendendo que não tinha errado e que não houve pênalti. Para o juiz, o zagueiro do Cruzeiro foi na bola, e a zaga saiu com ela dominada, continuava convicto sobre o lance.
A ESPN Brasil entrou em cena. A imagem do lance por um outro ângulo, onde fica claro que a queda do avante do Flamengo se deu em razão de um pisão sobre a bola e o choque entre os jogadores veio em razão do desequilíbrio do atacante flamenguista. Um jogador do Cruzeiro vinha na cobertura e saiu limpo no lance, com a bola dominada.
Veja a matéria da ESPN:
Não ouvi, porém fiquei sabendo que o Galvão Bueno já se desculpou. Gabriel o Pensador, deu uma entrevista à TV Cruzeiro (www.cruzeiro.com.br) e se disse envergonhado com a situação, pois, pelo ângulo da ESPN fica claro que não houve pênalti. Ao Sério Correa, diretor de arbitragem da CBF, eu espero que ainda venha a público para pedir desculpas ao Simon, e não ficar afirmando que houve pênalti como as informações que estão sendo ainda divulgadas. Na vida, o ser humano tem todo direito de errar, o que não pode é faltar com a humildade de reconhecer o erro quando isto fica evidente, ai, deixa de ser humano. Não é vergonha para qualquer ser humano pedir desculpas, é valor, é qualidade, é quase que uma obrigação para quem quer continuar sendo respeitado nas funções que exerce. O lance e a entrevista do Gabriel o Pensador podem ser visto na TV do Cruzeiro - www.cruzeiro.com.br e no site do Gabriel - www.gabrielopensador.com.br
Espero que o acontecimento relatado e suas consequências sirvam de exemplos para todos os envolvidos, como serviu para o Gabriel. Mais uma vez eu grito pelo respeito ao profissional, ao ser humano, o que vem faltando e muito no meio esportivo. É direito e dever não concordar, quando fatos e opiniões se divergem, especialmente para quem comenta uma determinada situação, o que não pode é destuir o outro por um suposto erro.
Felizmente existe a imagem da ESPN, felizmente veio a tona quem acertou, e quem errou. Quem falou que o Simon, depois de ter visto o lance pela TV deveria calçar as sandálias de São Francisco e reconhecer o erro, com certeza usa outra coisa nos pés, jamais as sandálias da humildade. Que tudo sirva de exemplos: olhe para os pés e veja se calça as sandálias antes de sugerir alguém que faça o mesmo. Olhe para cima e tenha cuidados com o seu telhado, veja de de que ele é, antes de atirar pedra sobre o telhado do outro.
Depois de tudo, será que as imagens, o mundo eletrônico, podem influenciar na decisão instantânea de um juiz de futebol?
Será que o quarto árbitro, pode ficar com um equipamento eletrônico, recebendo informações paralelas e repassando ao árbitro principal?
Será que as marcações dos auxiliares, os bandeirinhas, devem continuar sendo reconhecidas por alguns árbitros como correções absolutas? Alguns auxiliares chegam até mesmo a, antes do árbitro principal confirmar um lance, invadir as 4 linhas, para auxiliar na indicação do local da falta, um dos maiores absurdos que tenho visto nos últimos tempos em termo de arbitragem, e ninguém dá um basta nisto.
Quero finalizar cumprimentado dois personagens no episódio: Ao Simon pelo acerto e pela posição firme e ao Gabriel pela dignidade de reconhecer o erro. Todos que tiveram a mesma atitude do Gabriel, sintam cumprimentados. Quem ainda não seguiu o exemplo ainda há tempo.
Escrito por às 12h54
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